Repetindo velha política, Rosana Valle ataca manifestantes e mente aos eleitores

Mesmo debaixo de chuva, manifestantes saíram às ruas de Santos na manhã do último sábado (3) para protestar contra a reforma da previdência. Mais do que denunciar os itens mais prejudiciais do texto aprovado em 1º turno no Congresso Nacional, o principal objetivo do ato foi promover um escracho aos deputados federais eleitos pela Baixada Santista – Rosana Valle (PSB) e Júnior Bozzella (PSL). Parlamentares de primeira viagem em Brasília, ambos deram voto favorável às mudanças na seguridade social.

O local escolhido para o protesto foi o prédio onde reside Rosana Valle, na região do canal 6, em Santos. A ex-apresentadora de tevê, famosa pelo programa Rota do Sol na TV Tribuna (afliada da Rede Globo), foi quem recebeu mais “atenção”. Isso porque ela descumpriu o compromisso firmado publicamente com lideranças sindicais da região. No dia 25 de março, em reunião no Conselho Sindical da Baixada Santista, a deputada havia garantido que votaria contra a reforma.

Além de distribuir panfletos denunciando a reforma e o voto dos deputados, os manifestantes mantiveram erguida ao longo do protesto uma faixa com mais de um metro de altura e um metro de largura com fotos de Rosana Valle e Bozzella com a palavra ‘Traidores’ em letras garrafais. O escracho foi conduzido pelo coletivo Manifesta, que cantou uma marchinha em “homenagem” aos deputados. E para ilustrar a mudança de rumo da ex-apresentadora de tevê, o público ainda contou com a apresentação do novo programa de Rosana Não Vale 1 Real: o Rota do Bozo.


Rosana Valle ataca manifestação Um dia após o ato, Rosana Valle usou as redes sociais para desqualificar os manifestantes. Em vídeo publicado na página que mantém no facebook, explicou que não estava em sua residência, pois estava viajando. Ainda assim, se sentiu à vontade para atacar o protesto.

Disse que foi ameaçada, o que é mentira. Disse que havia apenas 15 pessoas, o que é mentira. Disse que os manifestantes tiveram de sair após a Polícia Militar, o que é mentira. E disse ainda que havia sindicatos e militantes do PSB, o seu partido, o que também é mentira. Organizado pelos fóruns em defesa das aposentadorias, e também por entidades sindicais, o ato teve trabalhadores ativos e aposentados das mais variadas categorias, estudantes e ativistas organizados ou não, não se restringindo ao seu partido e sindicatos.

Vale nota também o lamentável uso da fé e da religião para legitimar o seu posicionamento político e criticar os manifestantes. Fernanda Copelli Vilas Boas, que participou do ato e faz parte da Frente de Evangélico de pelo Estado de Direito, criticou a postura da deputada. “O Evangelho de Jesus nos conduz inevitavelmente à defesa dos mais vulneráveis em nossa sociedade. Votar a favor de uma reforma da previdência, que sacrifica principalmente o trabalhador e as classes sociais mais baixas, não expressa a missão nos dada por Jesus”.

Para ela, os que agem promovendo injustiça social e exploração precisam ser alertados e denunciados. “Sem violência! Mas precisamos erguer nossas vozes pelos desamparados e por aqueles que não podem se defender, conforme está escrito em Provérbios 31.8. As manifestações e atos pacíficos, que são expressões legítimas dentro de uma democracia, chamam a atenção, não apenas da congressista em questão, mas também da sociedade para o aviltamento dos mais pobres e opressão sobre o trabalhador que essa reforma promove”.

Apesar de tentar encarnar o rosto da “nova política”, Rosana Valle acabou utilizando o mesmo expediente de Beto Mansur, o rosto da velha política. Em 2018, quando ainda era deputado federal, também foi alvo de escracho por ter votado a favor da reforma trabalhista e apoiar a reforma da previdência.

Na ocasião, tentou desqualificar os manifestantes com argumentos muito semelhantes. Disse, por exemplo, “que mais uma vez, um pequeno grupo ligado a alguns sindicatos e sem qualquer apoio da população tenta sem sucesso promover uma manifestação contra o Governo usando o endereço onde mora com a família”.

Anos depois sabemos qual foi seu destino: a lata de lixo da história. Eleita para um mandato parlamentar prometendo novas práticas, a deputada parece repetir velhos expedientes e não tolerar o exercício democrático da crítica e da pressão. Lamentamos, pois é só o começo.

Texto e fotos: Frente Sindical Classista