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Semana da Consciência Negra: Indicações da Assojubs de biografias de personalidades brasileiras

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Cruz e Sousa É tido como a maior expressão poética do Simbolismo Brasileiro, movimento literário cujas primeiras manifestações datam do final da década de 80 do século XIX.

Cruz e Sousa (João da Cruz e Sousa) nasceu em 24 de novembro de 1861, em Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Seu pai (Guilherme da Cruz) era pedreiro, e sua mãe (Carolina Eva da Conceição), lavadeira, ambos escravos alforriados.

O menino recebia educação formal devido ao apadrinhamento do coronel Guilherme Xavier de Sousa, antigo “dono” da mãe do autor e de quem o menino herdou o sobrenome Sousa. Aos 8 anos já fazia versos. De 1871 a 1875, Cruz e Sousa estudou no Ateneu Provincial Catarinense, colégio da elite local da época. Nessa escola, como bolsista, o jovem poeta destacou-se como aluno.

Em 1881, trabalhou na Companhia Dramática Julieta dos Santos. E, no ano seguinte, fundou, com amigos, o jornal Colombo. A partir de então, o poeta dedicou-se à causa abolicionista. Alvo de preconceito racial desde a infância, foi impedido, por ser negro, de assumir o cargo de promotor em Laguna, em 1883, apesar de sua nomeação.

O Dante Negro ou o Cisne Negro, introdutor do Simbolismo no Brasil, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1890 e lançou seu primeiro livro em 1893 — Missal. Paralelamente a seu trabalho de escritor, inclusive com publicações em jornais, Cruz e Sousa, para sobreviver, trabalhou na Estrada de Ferro Central do Brasil, mas adquiriu tuberculose e morreu em 19 de março de 1898.

Cruz e Sousa teve seu corpo transportado de Minas Gerais, onde buscava recuperar-se da doença, até o Rio de Janeiro, em um vagão de transporte de animais. Seu enterro foi custeado por amigos como José do Patrocínio (1853-1905).

Escárnio perfumado – Cruz e Sousa

Quando no enleio De receber umas notícias tuas, Vou-me ao correio, Que é lá no fim da mais cruel das ruas,

Vendo tão fartas, D’uma fartura que ninguém colige, As mãos dos outros, de jornais e cartas E as minhas, nuas — isso dói, me aflige…

E em tom de mofa, Julgo que tudo me escarnece, apoda, Ri, me apostrofa,

Pois fico só e cabisbaixo, inerme, A noite andar-me na cabeça, em roda, Mais humilhado que um mendigo, um verme.

De O Livro Derradeiro

Algumas obras: Broquéis (1893, poesia); Missal (1893, poemas em prosa); Tropos e Fantasias (1885, poemas em prosa, junto a Virgílio Várzea); Últimos Sonetos (1905, obra póstuma); Evocações (1898, poemas em prosa, obra póstuma); Faróis (1900, poesia).

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